Livro Do Ano
Recomendo
Vira e mexe, premiações rendem boas histórias, e o Prêmio Jabuti não é exceção. Por exemplo, no ano 2000, a Comissão Julgadora escolheu À Sombra Do Pinheiro, do estreante Menalton Braff, como o Livro do Ano, sendo que a publicação não fora escolhida a Melhor Ficção, nem selecionada entre os dez finalistas da categoria do conto. Sem maiores explicações a respeito, a corrida às livrarias foi imediata, afinal, quem era esse autor cujo nome parecia de um estrangeiro, e o que havia de especial no livro para levar a essa surpreendente decisão? Sinteticamente, reunindo 18 contos, À Sombra Do Cipreste oferece uma “aula” sobre o genero. Desperta atenção a linguagem refinada sem ser pedante, as personagens convincentes e as descrições primorosas que compõem uma ambiência em que nada é excessivo ou fora de propósito. As histórias giram ao redor de situações corriqueiras cujas circunstâncias são sombreadas por conflitos que o escritor lança luz na medida exata para atrair a curiosidade do leitor. Enfim, há uma história sob outra história e como Braff consegue manipular essa relação até o desfecho é de uma perícia invejável. Uma perícia que pode ser observada do primeiro conto, que intitula o livro e é protagonizado por uma idosa, guardiã de um cipreste mais antigo do que ela, até o último, Adagio Appassionato, que expõe o desilusão de uma mãe com a filha. Porém, há muito mais: o perturbador reencontro entre dois amigos de juventude (O Voo Da Águia), o retorno do primogênito a casa do pai (O Relógio De Pêndulo), ou a filha que vela o corpo do pai de quem cuidou, enquanto se descuidava da própria vida (Adeus, Meu Pai). Enfim, À Sombra Do Cipreste é uma joia da ourivesaria literária cuidadosamente cinzelada pelas mãos de um gaúcho que, radicado na cidade de Serrana (SP), dedicou sua vida ao ensino de nossa literatura e a escrever uma obra que merece ser mais conhecida e reconhecida pelo público a despeito do aplauso da critica e premiações. Recomendo. Boa leitura!
Leila
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