Pequeno Manual Antirracista: resumo e detalhes do livro de Djamila Ribeiro

Confira onze lições de como ser antirracista no “Pequeno Manual Antirracista”, da filósofa brasileira Djamila Ribeiro.

Redação - ZoomEditor(a)

Publicado e atualizado 4 min. de leitura.

O racismo não é um ato de vontade individual, mas um complexo sistema de opressão que cria desigualdades e abismos sociais, e para que essa realidade mude devemos assumir práticas e estratégias antirracistas. É isso o que propõe a filósofa Djamila Ribeiro em Pequeno Manual Antirracista. Por isso, preparamos um resumo da obra e da trajetória da autora, para você entender um pouco mais do que se trata o livro. Dê um Zoom!

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Capa do livro Pequeno Manual Antirracista, de Djamila RIbeiro. (Imagem: Divulgação/Companhia das Letras)
Capa do livro Pequeno Manual Antirracista, de Djamila RIbeiro. (Imagem: Divulgação/Companhia das Letras)

Ficha técnica do livro Pequeno Manual Antirracista:

  • Título original: Pequeno Manual Antirracista
  • Capa: Alceu Chiesorin Nunes
  • Autora: Djamila Ribeiro
  • Editora: Companhia das Letras
  • Número de páginas: 136
  • Primeira publicação: 2019

O livro

Já está consolidado, a partir de pesquisas econômicas, histórica e sociológicas, que o racismo não é um simples ato de vontade individual, mas um complexo sistema histórico de opressões que nega direitos e discrimina pessoas negras, indígenas, não-brancas, ou seja, ele se configura como estrutura fundamental das relações sociais.

O objetivo de Djamila Ribeiro em Pequeno Manual Antirracista, é apontar onze estratégias e caminhos de reflexão antirracistas para a transformação dessa sociedade. Aqui, ela vai questionar alguns mitos, como o da democracia racial e meritocracia, vai citar diversos pensadores brasileiros e de outras nacionalidades que construíram uma visão sobre a negritude e os privilégios da branquitude, e expor que o racismo é algo que está internalizado em todos e deve ser combatido a todo momento, já que vivemos e fomos criados em uma sociedade racista.

A autora também traz o conceito de lugar de fala, que se resume ao lugar social de onde falamos, e que pessoas brancas precisam discutir sobre esse lugar cheio de privilégios construídos a partir da opressão de outros grupos. Um caminho para isso é questionar a ausência de pessoas negras em lugares de poder, por exemplo, ou por que em um restaurante, muitas vezes, as únicas pessoas negras presentes são trabalhadores servindo mesas e limpando o ambiente.

Djamila Ribeiro também já escreveu sobre esse conceito no livro “Lugar de Fala”. (Imagem: Divulgação/Pólen Livros)
Djamila Ribeiro também já escreveu sobre esse conceito no livro “Lugar de Fala”. (Imagem: Divulgação/Pólen Livros)

Para ela, as pessoas brancas devem questionar, também, se já foram consideradas suspeitas pela polícia por causa de sua cor, ou por que a maioria da população carcerária no Brasil é negra. A partir do embasamento teórico de diversos pensadores citados em Pequeno Manual Antirracista, Djamila Ribeiro afirma que o fato de homens brancos serem maioria nos espaços de poder não significa algo natural, mas o efeito de uma construção histórica a partir de processos de escravização.

A partir dessas reflexões, ela propõe ações como o apoio a políticas educacionais afirmativas, meios para transformar o ambiente de trabalho, a leitura de autores negros, o questionamento da cultura que consumimos, buscar conhecer nossos desejos e afetos, e por fim, combater a violência racial.

Conhecendo a autora

Djamila Ribeiro.
Djamila Ribeiro.

Djamila Ribeiro é mestre em filosofia política pela UNIFESP, colunista da Folha de São Paulo e já atuou como secretária adjunta de Direitos Humanos e Cidadania do município de São Paulo. Atualmente ela coordena a coleção Feminismos Plurais, da editora Pólen, e atua no grupo Promotoras Legais Populares (PLPs), uma rede de formação de lideranças femininas em periferias do estado de São Paulo, e de juízas e juízes que buscam mudar o olhar judicial sobre a população negra.

Djamila Ribeiro é autora de outros livros, como: Lugar de fala? (2017) e Quem tem medo do feminismo negro? (2018). Quando criança, ensinaram a ela que a população negra havia sido escrava e que “aceitaram” a escravidão de forma pacífica, sem resistência. No entanto, ela descobriu mais tarde que lhe esconderam informações preciosas sobre as resistências do povo negro e os mecanismos usados durante a história do Brasil para manter a desigualdade racial. Em Pequeno Manual Antirracista, ela busca indicar o caminho da reflexão e da prática para uma transformação social antirracista.

Conclusão

Se você está interessado no livro Pequeno Manual Antirracista, é importante saber que a leitura da obra é urgente para os dias atuais, sendo indicado para quem quer aprender sobre as raízes do racismo estrutural e está buscando assumir outra postura frente a sociedade, seja na escola, no trabalho, no bairro ou na própria família.

Comprar o Pequeno Manual Antirracista ajudará muitas pessoas a refletirem, a partir de uma linguagem simples e de situações aparentemente banais, sobre as desigualdades raciais no nosso país e no mundo, auxiliando no processo de conscientização sobre o tema

Uma frase de Djamila Ribeiro resume sua intenção com esse pequeno manual:

Este livro foca em estratégias para combater o racismo contra pessoas negras, mas espero que, se possível, ele possa contribuir também para o combate a outras formas de opressão.”

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