Mais caros, celulares Xiaomi perdem vantagem na briga por custo-benefício

Com a alta do dólar, preços de smartphones sobem no varejo nacional.

Ana MarquesEditor(a)

Publicado e atualizado 4 min. de leitura.

Os celulares Xiaomi estão mais caros no Brasil. O preço mínimo do Redmi Note 8, smartphone mais buscado da marca no Zoom, aumentou 43% em abril de 2020. Movimentação semelhante acontece com o Mi 9, top de linha lançado em 2019, que teve preço mínimo de R$ 2,5 mil nos últimos 40 dias, e agora custa cerca de R$ 1 mil a mais, no varejo nacional.

Com esse cenário, a marca chinesa, que há um ano se posicionava como referência em custo-benefício no Brasil, fica no mesmo patamar de outros nomes fortes por aqui, como a Samsung e a Motorola, cujos produtos também passaram por encarecimento nas principais varejistas.

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Os dados foram coletados do nosso serviço de comparação de preços e apoio à compra, que reúne grandes lojas do comércio eletrônico e também comerciantes menores, que atuam por meio do marketplace do Zoom – estes últimos, inclusive, que são os mais impactados pela alta do dólar e pela crise de importação provocada pelo novo coronavírus.

Redmi Note 8 foi o celular mais buscado da Xiaomi no Zoom nos últimos seis meses. (Imagem: M Harits Fadhli/Shutterstock)
Redmi Note 8 foi o celular mais buscado da Xiaomi no Zoom nos últimos seis meses. (Imagem: M Harits Fadhli/Shutterstock)

É importante ressaltar que, no site oficial da DL Eletrônicos, distribuidora da Xiaomi no Brasil, os preços também aumentaram. O Xiaomi Mi 9 foi anunciado de forma oficial no Brasil por R$ 3.999. Hoje, quase um ano depois do lançamento, ele custa R$ 4.966,90, a prazo, na loja online da DL.

Para fins de comparação, o Galaxy S10, da Samsung, foi lançado em março de 2019 por R$ 4.999 e agora tem preço a partir de R$ 4.399, a prazo, no site oficial da marca. Já o iPhone 11 chegou ao mercado nacional em outubro do último ano, por R$ 4.999 – preço que a Apple mantém em sua loja oficial.

Preço do Xiaomi Mi 9 na loja oficial da fabricante, no dia 18 de maio de 2020. (Imagem: Reprodução)
Preço do Xiaomi Mi 9 na loja oficial da fabricante, no dia 18 de maio de 2020. (Imagem: Reprodução)

É assim que a Xiaomi, que se destacou no Brasil por trazer preços bem menores em relação à concorrência, acaba se tornando apenas mais uma empresa na corrida pelo melhor custo-benefício, perdendo sua principal vantagem em uma disputa acirrada. Não é à toa que o Galaxy A30s, custando R$ 1 mil, desbancou o Redmi Note 8 no ranking de smartphones mais buscados no Zoom em abril de 2020.

Procurada pelo Zoom, a Xiaomi esclarece que que alguns produtos, sobretudo smartphones, tiveram um acréscimo no preço, por conta da grande variação do dólar durante o período. Ainda assim, a distribuidora DL afirma que trabalha "com margens mínimas" na venda dos produtos por aqui.

Apesar de não ter mais o preço disparadamente mais baixo da indústria, a Xiaomi cresce no Brasil, e agora tem a fatia de 8.09% do mercado de celulares no país, ficando atrás da Apple (10,84%), Motorola (23,32%) e Samsung (46,75%), de acordo com dados do StatCounter referentes ao mês de abril de 2020.

Custo-benefício e importação

O principal impacto para os fãs da Xiaomi deve ser em relação aos celulares que não são vendidos por aqui de forma oficial, pela distribuidora DL Eletrônicos. Esses dispositivos costumam ter preços incrivelmente baixos – o que se deve, em muitos casos, à falta de adequação às normas exigidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Como já explicamos, aqui no Zoom, quem opta por esse tipo de produto está sujeito a alguns problemas e fatores de risco, como a falta de assistência técnica oficial e da garantia da marca em território brasileiro. Entretanto, era um preço que muitos consumidores estavam dispostos a pagar para obter descontos de mais de R$ 1 mil em smartphones da fabricante chinesa.

Como anda a concorrência?

O aumento de preços no varejo eletrônico não é exclusividade da Xiaomi. A inflação também atinge celulares Samsung, Motorola e os iPhones, da Apple. Fazendo o recorte para os 10 modelos mais buscados no Zoom em março de 2020, é possível notar que todos eles ficaram mais caros no decorrer do mês de abril.

Histórico de preços do Zoom para o Moto G8 Plus partindo de 03 de abril de 2020. (Imagem: Reprodução)
Histórico de preços do Zoom para o Moto G8 Plus partindo de 03 de abril de 2020. (Imagem: Reprodução)

O Moto G8 Plus, smartphone que pertence ao mesmo segmento do Redmi Note 8, teve preço mínimo de R$ 1.046 em março, e em 13 de maio, já estava custando aproximadamente R$ 350 a mais, como mostra o gráfico acima. O próprio Galaxy A30s, líder do nosso ranking em abril, passou de R$ 900 para R$ 1.258,90, no mesmo período.

A dica valiosa para o momento atual é, mais do que nunca, pesquisar antes de comprar. Além de comparar preços, é importante colocar as especificações dos produtos lado a lado, e entender suas principais características antes de tomar qualquer decisão.

Além disso, é preciso ponderar na hora de importar, especialmente em tempos de crise, já que a atuação das marcas acaba ficando mais limitada nesse tipo de aquisição. Por aqui, algumas das principais fabricantes estenderam suas garantias para ajudar consumidores que estão mantendo as recomendações de isolamento social por conta da Covid-19.

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