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Dostoiévski: conheça 10 livros do autor de Crime e Castigo

Uma lista de livros que vão te fazer mergulhar na Rússia do Século XIX

Livros
por Luiza Ramalho - Especialista em Livros e Música.

Fiódor Dostoiévski é um dos escritores mais admirados do mundo. As muitas dificuldades de sua vida encontraram reflexo em seu trabalho, ajudando-o a criar personagens memoráveis ​​que juntos formam uma imagem fiel da Rússia do século XIX.

Ele apresenta ao leitor figuras marginalizadas e invisibilizadas, mas que, na verdade, representavam a maioria das pessoas da sociedade russa czarista. A compreensão da vida de um ser humano sem voz foi o modo como escritor pintou um retrato psicológico de seu país, trazendo à tona questões que permanecem importantes.

Conhecendo o autor

Dostoievski

Fiódor Mikhailovich Dostoiévski nasceu em Moscou, na Rússia, em 1821. Sua história é cercada de episódios turbulentos, como a morte precoce dos pais, problemas financeiros e ataques epiléticos. Após lançar suas primeiras obras, engajou-se na luta da juventude democrática russa pelo combate ao regime autoritário do Tsar Nicolau I.

Em São Petersburgo, dedicou-se integralmente à escrita, produzindo seis grandes romances, entre os quais suas obras-primas Crime e Castigo (1866), O Idiota (1869) e Os Irmãos Karamazóv (1880). Tais livros serviram como o reflexo de uma era turbulenta na história russa, quando a política radical que viria a dominar o século XX lutou com um intenso cristianismo ortodoxo pelos corações e mentes de um país polarizado.

É um dos pais do existencialismo, escola literária e filosófica que defende a liberdade individual, subjetividade e responsabilidade do ser humano. Morreu em 1821, em decorrência da epilepsia.

Sabendo de sua importância, nós aqui do Zoom separamos os dez livros mais marcantes desse autor russo que mudou os rumos da literatura no mundo todo!

Uma compreensão sobre o sentimento de culpa é abordada em Crime e Castigo

Um dos livros mais celebrados no mundo todo, Crime e Castigo trata das grandes tragédias humanas. A história de um homem pobre que comete um crime para sobreviver, mas depois luta com algo maior do que a pobreza: culpa extrema.

Ao longo do caminho, o leitor encontra algumas das criaturas mais baixas e lamentáveis ​​que habitam as ruas de São Petersburgo. Isso porque a realidade da maioria da população da Rússia czarista do século XIX era cercada pela pobreza e pela miséria.

Conforme definido pelo próprio Dostoiévski, o romance é uma obra psicológica, já que explora comportamentos patológicos dos seres humanos, além de ir fundo nas questões sobre os limites da moral e das leis.

Título original Преступле́ние и наказа́ние (Prestuplênie i nakazánie)
Tradução Oleg Almeida
Editora Martin Claret
Número de páginas 596
Ano de lançamento 1866

Para refletir sobre a bondade com a leitura de O Idiota

Se você já sentiu que não há bondade suficiente no mundo, então certamente é hora de ler O Idiota. O personagem principal, Myshkin, é um dos mais gentis e bondosos da literatura, preso a um mundo imperfeito de pessoas cínicas e desonestas.

Epiléptico, ele acaba de voltar de um tratamento na Suíça. A compaixão de Myshkin chega a espantar o leitor, que começa a se perguntar aquilo que é um dos maiores dilemas da humanidade: vale a pena ser bom?

Configura-se O Idiota como uma das maiores obras primas da literatura mundial por despertar questionamentos importantes da natureza humana em uma narrativa arrebatadora. É um livro longo, mas muito prazeroso.

Título original Идиот
Tradução Paulo Bezerra
Capa Oswaldo Goeldi
Editora Editora 34
Número de páginas 688
Ano de lançamento 1869

Os Irmãos Karamázov lida com os dilemas que a religiosidade apresenta à sociedade

O romance é o trabalho final de Dostoiévski - completado dois meses antes da morte do escritor. O enredo é complicado e explora questões desafiadoras, como liberdade, religião e ética.

Como alguns críticos sugerem, é um reflexo das diferentes etapas da vida do escritor, representadas pelos três irmãos. A narrativa é entrelaça uma história de assassinato, amor e questões sociais. É muito mais do que um mistério de um crime, é colocar em choque visões de mundo opostas.

Para ler este clássico não pode ter preguiça: são mais de mil páginas! Mas o trabalho – muitas vezes prazeroso – é compensador por explorar um dos temas mais presentes na nossa sociedade: o conflito entre a fé e a dúvida.

Título original Братья Карамазовы (Brat'ya Karamazovy)
Tradução Paulo Bezerra 
Posfácio e notas Paulo Bezerra
Capa Ulysses Bôscolo
Editora Editora 34
Número de páginas 1040
Ano de lançamento 1880

O Duplo é um romance para quem já se sentiu deslocado

Esse romance é quase como uma viagem exploratória à psique humana. Seu segundo romance, publicado em 1846, apresenta Yákov Pietróvitch Golyádkin, protagonista de O Duplo, mas que poderia ser qualquer trabalhador russo do século XIX: funcionário público condenado à burocracia, sem nenhuma expectativa de crescimento na carreira, hesitante até para proferir a frase mais banal, terrivelmente solitário e problemático.

Até que, no meio de sua rotina tediosa, Golyádkin encontra um homem igual a si, que compartilha as feições, as manias, o nome e a ocupação do original. Mas sua cópia parece acertar sempre onde ele erra, o que deixa Golyádkin – o original – transtornado.

Ao mesmo tempo em que é cômico e prazeroso, o livro deixa o leitor tão agoniado quanto o personagem. Uma ótima pedida para quem se interessa por questões psicológicas que perpassam a nossa vida cotidiana. 

Título original Двойни́к (Dvoiník)
Tradução Paulo Bezerra 
Capa Alfred Kubin 
Editora Editora 34
Número de páginas 256 
Ano de lançamento 1846

Uma reflexão sobre a militância política em Os Demônios

Os Demônios é considerada uma de suas obras mais politizadas. O enredo é baseado na história do assassinato de um estudante chamado Ivan Ivanov, supostamente cometido por membros de um círculo revolucionário.

O romance foi um reflexo dos crescentes movimentos radicais entre a intelligentsia (classe dos intelectuais da Rússia, considerada vanguarda política) e os primeiros sinais do terrorismo. O trabalho é um reflexo dos pensamentos de Dostoiévski sobre a parte militante da sociedade de seu tempo e uma reflexão sobre sua participação nos círculos do livre-pensamento.

O livro é fundador das bases do pensamento existencialista, servindo de inspiração para filósofos como Jean-Paul Sartre e Albert Camus.

Título original Бесы
Tradução Paulo Bezerra
Capa Claudio Mubarac
Editora Editora 34
Número de páginas 704
Ano de lançamento 1872

Memórias do Subsolo é leitura obrigatória para quem busca entender a filosofia existencialista

Memórias do Subsolo é um romance pequeno, mas grandioso ao condensar em poucas páginas grandes questões da existência humana. Através de um narrador sem nome, solitário e ranzinza, Dostoiévski cria o monólogo intenso de alguém que não vê em sua existência sentido algum.

Criando as bases para o pensamento filosófico niilista, o narrador-personagem se posiciona contra tudo e contra todos, mas acaba pela busca de redenção através da culpa – sentimento muito explorado pelo autor em diversas obras.

Apesar de curta, não é uma leitura fácil. A obra tem uma forte carga filosófica, é carregada na dramaticidade e a todo tempo permeada por metáforas. Mas, para quem se interessa por filosofia, essa pode ser uma boa introdução aos pensamentos da corrente existencialista.

Título original Записки из подполья (Zapíski iz pódpol'ia)
Tradução Boris Schneiderman 
Editora Editora 34
Número de páginas 152
Ano de lançamento 1864

Quem já se viu com pouca grana vai entender o livro Um Jogador

Ironicamente, esse romance foi escrito por dinheiro. Devido à uma dívida onerosa de jogo, o escritor fez um contrato para concluir o trabalho de Um Jogador em um período muito curto de tempo. A base do romance foi a ideia de descrever o estado psicológico que acomete uma pessoa envolvida no jogo.

Infelizmente, para Dostoiévski, suas perdas no jogo se repetiram logo depois e, a partir de então, ele fez uma promessa para que sua esposa nunca voltasse a jogar.

Título original Igrok
Tradução Boris Schneiderman 
Capa Axl Leshkoschnek 
Editora Editora 34
Número de páginas 232
Ano de lançamento 1866

Gente Pobre aborda a situação de pobreza na Rússia czarista

Primeiro romance de Dostoiévski, escrito quando tinha apenas 25 anos, marca o início da carreira de um gênio atormentado. O livro conta a história de um humilde funcionário público e uma costureira que trocam cartas entre si, dividindo sentimentos, sonhos e tristezas.

Sentimental na superfície, é uma crônica social de grande profundidade, mostrando os diversos problemas que acometiam os moradores de São Petersburgo, como a habitação, a comida e o vestuário.

É uma crítica social contundente à uma sociedade que ignora a população em situação de pobreza e marginalização. Um livro curto e de fácil leitura, revelador do estilo introspectivo e psicológico que o autor passou a desenvolver ainda mais em suas obras posteriores.

Título original Бедные люди (Bednye Lyudi)
Tradução Fátima Bianchi
Posfácio e notas Fátima Bianchi
Editora Editora 34
Número de páginas 192
Ano de lançamento 1846

Para conhecer melhor os percalços da vida de Dostoiévski, em Humilhados e Ofendidos

A ideia de começar a escrever este romance chegou a Dostoiévski quando ele se mudou para São Petersburgo, depois de ter passado um tempo no exílio. Até certo ponto, o romance é autobiográfico e é contado do ponto de vista de um jovem escritor, Vanya, que está lutando para ganhar a vida na década de 1840.

Nas páginas do romance, São Petersburgo torna-se um livro aberto, e muitos detalhes precisos da vida do personagem fazem a cidade ganhar vida, semelhante às obras de outros escritores do século XIX, como Charles Dickens.

Título original Униженные и оскорбленные
Tradução Fátima Bianchi 
Capa Oswaldo Goeldi 
Editora Editora 34
Número de páginas 416 
Ano de lançamento 1861

O Eterno Marido, um romance repleto de tensões até a última página

Como um grande explorador das questões psicológicas da humanidade, Dostoiévski não decepciona ao tratar da traição conjugal e dos dilemas e sentimentos que surgem com a infidelidade. O enredo de Eterno Marido começa quando um homem atende a uma batida na porta do meio da noite, e se surpreende ao encontrar o marido de uma antiga amante.

Porém, ele ainda não sabe se o seu caso foi descoberto e, por isso, cria-se um clima de tensão e expectativas que mexe com a ansiedade de qualquer um. É uma narrativa arrebatadora e que não deixa de fora uma profundidade filosófica e socialmente contestadora – até porque não poderíamos esperar nada diferente de um livro de Dostoiévski.

Título original Viétchnii Muj
Tradução Boris Schnaiderman 
Editora Editora 34
Número de páginas 216 
Ano de lançamento 1870

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