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Livros de Romance: conheça algumas das melhores obras já publicadas

Obras que atravessam o tempo e servem como referência para imaginários de muitas gerações.

Livros
por Luiza Ramalho - Especialista em Livros e Música.

Enquanto leitores somos levados a tempos antigos ou futuros muitos distantes sem sair do lugar. Nos emocionamos com histórias de amor, ficamos arrepiados com histórias de terror e, sobretudo, somos levados a pensar sobre nossa própria realidade, refletida em personagens e cenários emblemáticos.

Assim é o sentimento que fica quando lemos um bom romance: um misto de emoções e significados que transformam o modo de enxergar a vida. Por isso, separamos 13 dos melhores romances já publicados. Dê um Zoom!

Ah, mas se você preferir pode conferir os melhores livros de romance publicados em 2018 clicando aqui!

Para lembrar que um dia nunca é igual ao outro com Ulysses

O livro tem uma premissa muito simples: um homem sai de casa de manhã, faz tudo o que tem pra fazer durante o dia e volta para casa à noite. Mas não se engane com esse esqueleto banal: Ulysses é considerado o maior romance do século XX.

Inspirado na Odisseia, de Homero, o livro de James Joyce é ambientado em Dublin e narra o dia 16 de junho de 1904 vivido por Leopold Bloom e Stephen Dedalus. 1100 páginas pode se parecer muito para narrar um dia na vida de um sujeito, mas cada detalhe é valioso nessa história labiríntica, fazendo com que o leitor se perca nos encantos da cidade e na riqueza de seus personagens.

Título original Ulysses 
Autor James Joyce 
Tradução Caetano W. Galindo 
Capa Raul Loureiro e Claudia Warrak 
Editora Companhia das Letras 
Número de páginas 1112 
Ano de lançamento 1918

Para viajar pelos meandros da vida de onde você estiver com Cem Anos de Solidão

O livro de Gabriel García Márquez mudou a ótica do mundo em relação ao continente Sul americano e sua produção cultural. Ganhador do Nobel da Literatura, o autor se inspirou nas histórias fantasiosas que seus avós o contavam durante a infância no interior da Colômbia.

Passando-se na cidade imaginária de Macondo, os personagens da família Buendía atravessam os anos herdando os nomes uns dos outros e o estado de espírito da família, criando padrões que se repetem. É um texto emocionante, que trata dos sentimentos e relações que são cultivados durante gerações pela família, transpondo as fronteiras do real e do imaginário.

Um livro que preenche vazios, mas também os cria. Outro bom motivo, é o recente anuncio de que a Netflix transformará a obra em uma série, ambientada na Colômbia e falada em Espanhol. Resta torcer para que seja uma boa adaptação.

Título original Cien Años de Soledad
Autora Gabriel García Márquez 
Tradução Eric Nepumoceno 
Editora Record 
Número de páginas 448 
Ano de lançamento 1967

Para entender as relações de classes com Orgulho e Preconceito

Em pleno Séc. XIX, Jane Austen já balança relações de gênero com a primeira frase de Orgulho e Preconceito e uma mais célebres da literatura: “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro e muito rico deve precisar de uma esposa”.

A autora rompe com essa premissa justamente por criar uma heroína hostil ao casamento por conveniência. Com isso, o romance de Austen transforma a relação de Elizabeth Bennet e Mark Darcy em uma crítica à sociedade inglesa, demonstrando que tanto o orgulho quanto o preconceito são sentimentos cultivados pelas classes sociais para se distanciarem.

A história de amor é linda e emocionante, mas o livro vai muito além disso ao tratar de questões sociais ainda mais profundas. 

Título original Pride and Prejudice
Autor Jane Austen 
Tradução Alexandre Barbosa de Souza 
Capa Raul Loureiro e Claudia Warrak
Editora Companhia das Letras 
Número de páginas 576 
Ano de lançamento 1813

Para compreender os costumes da sociedade brasileira com Dom Casmurro

Se Capitu traiu ou não Bentinho talvez nunca saberemos. O que sabemos é que Dom Casmurro é uma das obras mais importantes da literatura brasileira justamente porque vai muito além de um caso extraconjugal. No pano de fundo, Machado de Assis nos apresentar um grande painel do Brasil, das classes abastadas e dos políticos.

O livro traz uma série ensinamentos sobre como funciona e como as pessoas se relacionam, sendo um importante retrato de costumes. Se você realmente gosta de literatura, não há muitas desculpas para não ler este livro, que é uma obra brasileira antológica, além de ser de fácil leitura e muito divertida.

Título original Dom Casmurro 
Autor Machado de Assis
Editora Companhia das Letras 
Número de páginas 400 
Ano de lançamento 1899

Para refletir sobre o nosso tempo com 1984

O livro de George Orwell teve, recentemente, sua venda alavancada pelas últimas eleições nos Estados Unidos; isso porque a equipe do presidente Donald Trump, ao ser refutada sobre a falsa declaração de que a posse do presidente em Washington teve a maior multidão da história, afirmou que esses eram “fatos alternativos”, discurso semelhante ao utilizado no livro publicado em 1949. 

Na distopia, o protagonista vive em uma sociedade com fatos distorcidos e suprimidos por um poder concentrado nas mãos de uma figura conhecida como o “Grande Irmão”. O livro tornou-se um clássico atemporal por ser uma metáfora aos regimes totalitários. Ao mesmo tempo que é um livro de fácil leitura, também angustiante por mostrar a impotência do protagonista frente ao governo manipulador.

Clique aqui e leia sobre os 70 anos de 1984

Título original Nineteen Eighty-Four
Autor George Orwell 
Tradução Heloisa Jahn e Alexandre Hubner 
Capa Kiko Farkas/Máquina Estúdio e Elisa Cardoso
Editora Companhia das Letras 
Número de páginas 416 
Ano de lançamento 1949

Para explorar nossos labirintos internos com Mrs. Dalloway

Assim como em Ulysses, de James Joyce, o romance de Virginia Woolf se passa em um dia e sua protagonista também explora as ruas cidade (dessa vez, Londres). Ao sair para comprar flores para uma festa que vai oferecer, a aristocrata britânica Clarissa Dalloway registra seus caminhos, ações, sensações e pensamentos. Em torno dela, gravitam vários personagens: o marido Richard Dalloway, a filha Elizabeth, e um antigo amante, Peter Walsh.

Assim como os caminhos tomados pela protagonista em seu dia na cidade, os personagens tomam muitas voltas para encontrar a si mesmos, numa trama tecida por memórias e ilusões. Um livro curto, mas denso e muito profundo ao produzir um retrato da aristocracia inglesa.

Título original Mrs. Dalloway 
Autora Virginia Woolf 
Tradução Claudio Marcondes 
Capa Claudia Espínola de Carvalho 
Editora Companhia das Letras 
Número de páginas 240 
Ano de lançamento 1925

Para refletir sobre o desejo e a culpa com Reparação

A narrativa gira em torno da adolescente Briony Tallis, que sonha em se tornar escritora. Em um dia quente de verão na casa de campo da Inglaterra, ela vê uma cena que atormenta sua imaginação: sua irmã mais velha se despindo para entrar no lago sendo espiada por um amigo de infância. Marcada por esse episódio, ela comete um crime que mudará o futuro de sua família.

O livro de Ian McEwan, um dos maiores romancistas da literatura mundial, é engenhoso e a trama tem amarras surpreendentes, que prendem o leitor até a última página.

Título original Atonement
Autor Ian McEwan
Tradução Paulo Henriques Britto
Capa Raul Loureiro 
Editora Companhia das Letras 
Número de páginas 448 
Ano de lançamento 2001

Para redescobrir o amor com Jane Eyre

A obra de Charlote Brontë é um romance sobre amor e resiliência. Ambientado no Séc. XIX, o livro conta a história de Jane Eyre, uma órfã desprezada por familiares, sofrendo muitas privações, mas que ao longo do tempo se torna forte e independente.

Aos 18 anos, ela passa a trabalhar na residência do Sr. Rochester, um homem rico que esconde um segredo sombrio de seu passado que acaba transformando a vida de Jane. Além de uma história de amor apaixonante, o livro é também sobre transformar realidades através da empatia e do perdão.

Título original Jane Eyre - An Autobiography
Autora Charlote Brontë 
Tradução Adriana Lisboa 
Editora Zahar 
Número de páginas 536 
Ano de lançamento 1847

Para mergulhar na vida aristocrática francesa com Madame Bovary

O icônico romance de Gustave Flaubert causou um rebuliço na sociedade francesa do século XIX por ser uma crítica contundente aos hábitos da burguesia. O livro conta a história de Emma Bovary, uma mulher entediada com seu casamento que acaba se envolvendo com outros homens.

A narrativa foi tão chocante que levou o autor aos tribunais sob acusações de imoralidade, por se tratar de uma mulher que comete adultério. Ele foi absolvido, mas polemizou em frente ao juiz dizendo “Madame Bovary sou eu”. A escrita de Flaubert é precisa e simples, além de ser recheada de ironias, o que faz do livro uma leitura fácil e prazerosa.

Título original Madame Bovary
Autor Gustave Flaubert
Tradução Mário Laranjeira 
Capa Raul Loureiro e Claudia Warrak 
Editora Companhia das Letras 
Número de páginas 496 
Ano de lançamento 1856

Para explorar as contradições da sociedade russa Anna Kariênina

Declarado pela revista Time o maior romance já escrito, Anna Kariênina é a obra mais famosa do chamado realismo literário.  Isso porque o livro de Liev Tolstói faz grandes descrições e coloca em contrastes elementos da vida da sociedade russa, como a cidade e o campo; Moscou e São Petersburgo; a alta sociedade e a vida dos mujiques; o intelectual e o homem prático.

A protagonista Anna Kariênina aparentemente tem tudo para ser feliz, beleza, riqueza, o casamento com um oficial do governo, um filho desta relação, mas se sente extremamente vazia. É um livro longo e descritivo, mas cuja leitura é muito recompensadora pela riqueza com que as ambiguidades da Rússia do século XIX são retratadas.

Título original Anna Kariênina 
Autor Liev Tolstói 
Tradução Rubens Figueiredo 
Capa Kiko Farkas/Máquina Estúdio e Ana Lobo
Editora Companhia das Letras 
Número de páginas 840 
Ano de lançamento 1877

Para refletir sobre amor e questões raciais com Americanah

Chimamanda Ngozi Adichie é uma das escritoras mais importantes do nosso tempo. Isso porque em seus livros ela faz críticas contundentes às questões raciais que cercam o mundo em nossa volta. “Americanah” diz respeito a uma história de amor emocionante, a qual nos deixa presos ao longo das 500 páginas.

A protagonista é Ifem, uma jovem nigeriana que se muda para os Estados Unidos deixando um amor para trás. Ela passa narrar em um blog o seu dia-a-dia na faculdade, relacionamentos, amigos e lugares que frequenta.

O livro explora o preconceito e as dificuldades que os negros enfrentam a partir de detalhes e acontecimentos de sua rotina, mostrando que o racismo é algo estrutural na sociedade. O livro pode parecer longo à primeira vista, já que tem 500 páginas, mas a narrativa é tão vibrante que fica difícil largar.

Título original Americanah
Autora Chimamanda Ngozi Adichie
Tradução Julia Romeu 
Capa Claudia Espínola de Carvalho 
Editora Companhia das Letras 
Número de páginas 520 
Ano de lançamento 2013

Para entender os limites de paixão e vingança com O Morro dos Ventos Uivantes

Outra marcante obra das irmãs Brontë, O Morro dos Ventos Uivantes é uma das histórias de amor mais belas de todos os tempos. Ela conta a história da paixão intensa entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância eu se viram separados pelo destino.

Mesmo despertando ira e vingança, os dois lutam para permanecer juntos e ultrapassar as barreiras impostas pelo seu tempo. Único livro de Emily Brontë, é considerado um dos maiores clássicos da literatura inglesa e já foi adaptado diversas vezes para o cinema. É um livro para se derreter e sonhar do início ao fim.

Título original Wuthering Heights
Autora Emily Brontë
Tradução Doris Goettems 
Editora Landmark 
Número de páginas 406 
Ano de lançamento 1847

Para refletir sobre quem são os verdadeiros monstros, em Frankenstein

Você deve conhecer a história de Frankenstein, que já foi recriada diversas vezes em quadrinhos, cinema e televisão. O monstro criado pelo doutor Victor Frankenstein, com seus parafusos no pescoço (imagem que surgiu da adaptação para o cinema em 1930), é um dos personagens mais icônicos da ficção de terror.

O livro de Mary Shelley publicado originalmente em 1818 causou controvérsia justamente por ser uma obra tão pouco convencional saída da cabeça de uma mulher. A verdade é que o livro revolucionou a literatura de terror por experimentar as fronteiras com a ficção científica, algo inédito até então. E a obra de Shelley vai além, explorando os fatores psicológicos de criação e criatura, colocando em dúvida a bondade do ser humano.

Título original Frankenstein
Autora Mary Shelley
Tradução Márcia Xavier de Brito 
Editora Darkside 
Número de páginas 304 
Ano de lançamento 1818


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