iPhone 11 em pé numa mesa preta

iPhone 11: testei o iOS depois de usar Android a vida toda

Nesse artigo de opinião, conto como foi a minha experiência usando o iPhone pela primeira vez

Ariel Cristina BorgesRedatora

Publicado e atualizado 8 min. de leitura.

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É uma verdade universalmente conhecida que, no mundo dos celulares, a guerra Android vs iOS existe e é grande. Geralmente, o usuário da Apple só sossega quando o amigo do time oposto experimenta os supostos benefícios de um iPhone no dia a dia. E daí que o sistema operacional é mais fluido e não trava? Se o preço a pagar por ele for muito alto, às vezes, o investimento não vale a pena (ou não cabe no bolso, mesmo). Por causa disso, eu, dona de um Samsung Galaxy A71 e com um longo histórico de aparelhos Android no currículo, nunca considerei passar para o lado da maçã da força... até agora.

Tudo mudou quando uma chavinha virou no meu cérebro e eu passei a considerar investir um pouco mais num aparelho e sair do nível intermediário para um premium. A motivação para isso? A câmera, principalmente. Ainda assim, como nunca tinha usado um iOS na vida, a dúvida principal era se conseguiria me adaptar à mudança. Para tirar a prova dos nove, eu peguei o iPhone 11 do nosso acervo e estou usando há algumas semanas. As minhas impressões, conto aqui embaixo. Dá uma olhada!

Para uma análise mais técnica, você pode dar uma olhada no nosso review do iPhone 11!

iPhone 11 deitado com conjunto de câmeras para cima numa mesa com fundo preto
Para mim, a câmera do iPhone 11 é uma das principais vantagens do aparelho, mas não é a única (Foto: Mosaico)

Por que o iPhone 11?

Se você costuma acompanhar os conteúdos do nosso site, sabe que eu não faço parte da editoria de celulares. Minha área de expertise é a dos eletrodomésticos e portáteis de cozinha. O que significa que o meu nível de exigência com celulares não é dos mais altos e, por isso, o iPhone 11 é uma boa opção para as minhas necessidades. A data de lançamento em 2019 faz dele um aparelho antigo para os padrões da Apple, mas, ao mesmo tempo, também melhora seu custo-benefício. Isso significa que é possível aproveitar as vantagens de um celular premium sem precisar desembolsar tanto quanto é necessário para levar para casa um iPhone 12 ou um iPhone 13. O modelo usado no nosso teste é o de 128GB:

Na hora de escolher entre ele e as opções de 64GB e 256GB, o do meio é o mais recomendado por unir o bom preço a um espaço de armazenamento interno indicado para uso mediano. Isso acontece, principalmente, porque o modelo de 64GB não é suficiente para quem acumula muitos arquivos e o de 256GB, por sua vez, é consideravelmente mais caro.

iPhone 11: primeiras impressões

Para começar, acho que vale a pena dizer que eu não apenas nunca tive um iPhone: eu tinha dificuldade até para conseguir desbloquear um deles. Ou seja: podemos afirmar que não foi um início muito fácil. Como o nosso aparelho já foi testado para review e é usado nas nossas lives, ele já tinha sido configurado. Por isso, apenas trocar a conta predominante no iCloud não foi suficiente e eu precisei resetar - antes do processo, ele me pedia a senha para a instalação de qualquer app e nunca finalizava o download. Confesso que pensei que seria sempre dessa forma, mas tudo foi resolvido depois da configuração certinha.

Ainda assim, um ponto de diferença entre ele e o Android que deve ser destacado é a necessidade de autenticação toda vez que um app é baixado pela primeira vez. A intenção é aumentar a segurança e impedir que aplicativos sejam instalados sem a permissão do dono do aparelho, mas é uma etapa a mais para quem está acostumado com o Android.

O leitor de digital faz falta

Os modelos de iPhone lançados a partir do XR, antecessor do 11, contam com uma mudança de design importante para a usabilidade do aparelho: a falta de botões. Com isso, ele também deixou de ter o leitor de digital, que funcionava para desbloqueio e para a autorização de diferentes ações (como a instalação de aplicativos). O reconhecimento facial é eficiente e funciona melhor que a do meu Samsung, mas aqui, vale destacar um obstáculo: as máscaras de proteção. Por causa da pandemia, nós ainda precisamos usar esse acessório eventualmente e para desbloquear o celular - algo que eu faço com frequência - eu precisei digitar a senha. Não chega a ser um problema, mas convenhamos, não é a opção mais prática do mundo.

O dilema do carregador do iPhone

Outra mudança marcante nas novas gerações do celular da Apple é a falta de carregador na caixinha: ele vai, apenas, com um cabo USB-C/Lightning (a entradinha adaptada do iPhone). Por sorte, o adaptador de tomada do meu Galaxy e o meu computador de trabalho aceitam USB-C e eu não encontrei dificuldades para carregar o celular. Ainda assim, não conseguia usar o meu carregador portátil com o iPhone, já que a saída de carga dele funciona com USB 2.0 (o USB tradicional encontrado, por exemplo, em pendrives). No site da Apple, o cabo Lightning com USB 2.0 custa R$ 219. O adaptador de tomada compatível com USB-C de 20W, que confere carregamento rápido, custa R$ 199.

Fui conquistada pela câmera do iPhone 11

Para mim, uma das principais funcionalidades de um celular, sem dúvidas, é a câmera. E você não precisa ser especialista nesses aparelhos para saber que a Apple domina, sim, nesse quesito. O tempo de resposta rápido, a qualidade das imagens e o ângulo de abertura do iPhone 11 me conquistaram - e vale lembrar, também, que o 12 e o 13 tiveram melhorias em relação a ele.

Selfie de mulher negra usando tranças castanhas e óculos com armação preta e máscara ao lado da tela do cinema com o logo da Marvel Studios
Uma selfie do iPhone 11 para vocês verem que eu sou de verdade e uma foto da sala do cinema, ambiente completamente escuro (Fotos: Ariel Cristina Borges/Mosaico)

No meu dia a dia, a câmera é usada para registrar a minha vida pessoal, mas, também, no trabalho. Enquanto estava testando o nosso iPhone 11, eu produzi o review da Air Fryer Britânia Pró Saúde (sim, é disso que eu realmente entendo). No corpo desse texto, as fotos que mostram o prato preparado com o aparelho foram feitas com o iPhone. Também foi nesse dia que eu descobri que o formato padrão das fotos, HEIC, não é compatível com alguns programas de edição e pode ser um pouco difícil de converter para JPEG, WEBP ou PNG, mas no fim das contas, deu tudo certo. Eu só pensei em procurar as configurações e mudar o formato padrão das fotos enquanto estava escrevendo essa matéria - erro de principiante, certo? Ainda assim, fiz uma viagem com o iPhone e ele passou no teste das fotos da janela do avião: mesmo a noturna, feita com a cabine completamente escura, ficou boa.

Fotos do céu visto da janela do avião pela manhã e à noite
A câmera do iPhone 11 segurou muito bem a missão das fotos na janela do avião (Fotos Ariel Cristina Borges/Mosaico)

Para testar o vídeo, eu registrei diferentes momentos dessa mesma viagem e, tal qual qualquer millennial que tem um pouquinho de genZ no sangue, eu fiz um post de highlights no Instagram usando o Reels e uma música animadinha. Inclusive, esse também é um ponto de destaque: o Instagram realmente funciona muito melhor no iPhone.

Fotos lado a lado de um cachorro sentado e de uma lagoa deserta
Com o tempo de resposta rápido, fica fácil tirar foto de animais e paisagens (Fotos: Ariel Cristina Borges/Mosaico)

Curiosamente, ao analisar as especificações de câmera do iPhone 11, ele é inferior ao meu Galaxy A71, mesmo que um seja premium e o outro, intermediário. O iPhone tem duas câmeras de 12MP na parte traseira e uma frontal de 12MP. O A71, por sua vez, tem um conjunto de quatro câmeras traseiras, sendo uma de 64MP, uma de 12MP e duas de 5MP cada. Na frontal, a resolução da Samsung é de 32MP. Mesmo com as configurações mais robustas, o Galaxy perde para o iPhone no resultado final - que é o que importa, no fim das contas, certo? Isso acontece por causa do processador do iPhone, que é feito pela Apple e, por isso, tem uma compatibilidade muito mais alta não apenas com a câmera, mas com o celular como um todo. Também é dele que vem a fama do iPhone ser um "celular que não trava".

O áudio dele também é um diferencial

Depois da câmera, outro ponto muito importante num celular para mim é, certamente, o áudio. Não que eu seja das usuárias mais exigentes, mas eu ouço música todos os dias, basicamente o dia todo. É importante ter um aparelho que entrega bom volume e um som limpo (mesmo que eu não saiba os termos técnicos para isso), no auto-falante e nos fones.

Para ter a experiência completa, assinei o Apple Music, que dá os três primeiros meses de graça se você é um usuário novo. O catálogo com playlists não apenas de músicas, mas também de vídeos no streaming é um diferencial muito bom. Além dele, também usei bastante o recurso de letras de músicas, mas o que me conquistou mesmo é o que eles chamam de Áudio Espacial. A modalidade dá a impressão de imersão na música, como se o som chegasse até você de todos os lados, não apenas das laterais - o recurso funciona melhor quando você usa fones de ouvido.

Capturas de tela do aplicativo Apple Music mostrando a capa de um álbum, as letras de uma canção e o reprodutor com a tela bloqueada)
Três meses de graça no Apple Music é um negócio que vale MUITO a pena (Fotos: Ariel Cristina Borges/Mosaico)

Falando nisso, outro ponto de destaque deve ser, certamente, a falta de entrada para fones comuns. O iPhone é otimizado para uso com os AirPods, mas ele também funciona com outros fones de conexão Bluetooth. O que é uma boa, já que a versão mais recente dos fones custa R$ 2.399 (ao menos eles são mais úteis do que aquele paninho da Apple que viralizou recentemente...). O modelo de fone com fio e entrada Lightning é raridade: só tem quem já usa iPhone há muito tempo e se você é uma dessas pessoas, cuide bem do seu, porque ele não é mais vendido pela marca.

O iPhone é um celular funcional, acima de tudo

Em relação à funcionalidade, realmente não há como negar que o iPhone é excelente. Além de realmente não travar, ele oferece tudo o que você precisa no dia a dia: calendário, bloco de notas, lembretes, monitoramento de saúde, app para controlar dispositivos inteligentes de casa e o Apple Pay. Para mim, bons destaques foram o tradutor que é bem prático de usar e tem suporte para diferentes línguas, o nível, que mostra se diferentes superfícies estão realmente retas (uma mão na roda na hora de instalar prateleiras em casa, por exemplo) e o medidor, que dá uma noção precisa do tamanho de diferentes objetos usando apenas a câmera do aparelho.

Enfim: será que é hora de trocar oficialmente o Android pelo iOS?

Uma coisa eu preciso admitir: esse tempo usando o iPhone me balançou muito em relação à minha fidelidade aos aparelhos Android. É claro que precisamos levar em consideração o meu costume com celulares mais intermediários - já era de se esperar que o iPhone 11, mesmo "ultrapassado", fosse ser melhor do que o A71 em alguns aspectos. Ainda assim, o investimento para ter um aparelho da Apple é muito mais alto do que o de um aparelho Android - mesmo considerando as opções premium da Samsung e da Motorola, por exemplo. Até porque, além do valor dele, também é necessário contar com os adicionais como carregadores e cabos e com o seguro nessa transição. Apenas por isso, eu sigo na dúvida e vou levar mais um tempinho analisando e esperando o Alerta de Preço chegar no nível que eu quero (e posso) pagar.

Mas se você chegou até aqui e quer saber se a mudança vale a pena em questão de usabilidade e funcionalidade, não há dúvidas que sim. Mesmo que o sistema operacional seja diferente, é só uma questão de tempo até você se acostumar e estar usando um celular completamente novo numa boa.

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